CONSUMO - Consumo da base popular ultrapassa o da classe alta
A estabilidade e a trajetória de crescimento da economia nacional finalmente estão levando milhões de brasileiros para o mercado de consumo. A expectativa para 2010 é de que o consumo popular já ultrapasse o das classes altas. É o que mostra o estudo Tendências da Maioria, realizado pelo instituto de pesquisa Data Popular com 2.093 entrevistados em todo o Brasil e divulgado pelo site mundo do Marketing e pelo jornal Diário de S. Paulo. De acordo com a pesquisa, as classes A e B devem consumir neste ano um total de R$ 545,6 bilhões. Já para as classes C e D, o número esperado é de R$ 808,8 bilhões. Se for incluída a classe E (R$ 25 bilhões), o total de consumo popular chega a R$ 833,8 bilhões.
Para o sócio-diretor do instituto, Renato Meirelles, o grande destaque para 2010 deve ser a classe D, que reúne cerca de 70 milhões de pessoas com renda de 1 a 3 salários mínimos (R$ 510 a R$ 1.530), um contingente maior que a das classes A e B juntas. Com R$ 381 bilhões para gastar em 2010, a expectativa é de que a massa de renda da classe D ultrapasse a da classe B ainda este ano ? as 20 milhões de pessoa da faixa B, com renda entre 10 e 20 salários mínimos (R$ 5,1 mil a R$ 10,2 mil), deve ter para gastar, neste ano, um total de R$ 329,5 bilhões.
Com uma cesta de produtos ainda reduzida, se comparada ao consumo das outras classes, os consumidores da classe D estão em ascensão. O número de categorias consumidas passou de 21, em 2002, para 34, em 2009, segundo o estudo. Entre os produtos que entraram para a lista de compras recentemente estão suco pronto, massa instantânea, detergente líquido, molho de tomate, creme de cabelo e amaciante de roupa. Esse número tende a crescer e não se limita ao consumo de massa. Em 2010, estes consumidores pretendem adquirir computador, geladeira, moto, carro e viagens de avião.
"A classe D é a faixa social que representa a transição da baixa renda para uma vida melhor, pois absorve um grande número de brasileiros de saída da linha da pobreza e impulsiona o crescimento da classe média", comenta Renato.
CRÉDITO - Qualidade de crédito do consumidor volta ao patamar pré-crise
O Indicador Serasa Experian da Qualidade de Crédito do Consumidor, que avalia numa escala de 0 a 100 a qualidade de crédito do consumidor registrou alta de 0,7% no primeiro trimestre de 2010, atingindo o valor de 79,2. Quanto maior o número, melhor a qualidade de crédito e menor é a probabilidade de inadimplência, caso este consumidor venha a requerer crédito. Com este resultado, o indicador retornou ao patamar vigente ao final do segundo semestre de 2008, ou seja, anterior à eclosão da crise-financeira internacional (setembro 2008). Os dados estão disponíveis no site da Serasa.
A melhora na qualidade de crédito do consumidor observada no 1º trimestre de 2010 está relacionada com a ampliação do emprego e dos rendimentos reais e com a trajetória de declínio das taxas de juros em 2009 e início de 2010, que tornou o custo dos financiamentos mais acessíveis.
Por faixa de renda, a classe que ganha até R$ 500,00 por mês é a que possui o menor índice de qualidade de crédito (74,8). No entanto, esta também é a classificação onde houve a maior alta na qualidade de crédito no 1º trimestre de 2010, comparativamente ao trimestre imediatamente anterior. A recuperação do mercado de trabalho e os mecanismos oficiais de transferência de renda, com foco nas camadas menos favorecidas da sociedade, contribuíram para a diminuição do risco de inadimplência dos consumidores da faixa mais baixa de rendimento mensal.